«OE cria projeto para debate sobre formação e inserção de Engenheiros no mercado de trabalho.
As colocações dos candidatos à 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso do Ensino Superior divulgados este domingo pela Direcção-Geral do Ensino Superior, demonstram a procura tímida dos jovens por algumas áreas do conhecimento, nomeadamente em certas especialidades de Engenharia.
A Ordem dos Engenheiros há muito que alerta para a necessidade de concretização de uma reestruturação da matriz do Ensino Superior de Engenharia. Tal necessidade, claramente demonstrada pelos resultados agora conhecidos, assenta em quatro pontos fundamentais:
1. Crescimento descontrolado do número de cursos de Engenharia nas últimas décadas, provocando uma oferta desmesurada face à densidade populacional de Portugal, sobretudo no que respeita aos cidadãos com idade de frequência do ensino superior, e uma desadequação face às carências de formação de que o país necessita;
2. A introdução da Matemática e da Física como disciplinas obrigatórias nas provas de ingresso, desde 2012, para o acesso à maioria dos cursos de Engenharia. Trata-se de uma medida aplaudida pela Ordem dos Engenheiros, porquanto a Matemática e a Física são as áreas do conhecimento basilares da Engenharia. No entanto, a falta de preparação dos alunos durante o ciclo secundário de aprendizagem e a incapacidade de gerar nestas gerações o gosto e a vocação por estas disciplinas, conduz a que persista na nossa sociedade a já tradicional aversão a estas áreas, que exigem dedicação, trabalho, raciocínio, mas que, sublinhamos, capacitam os jovens para saídas profissionais com futuro em qualquer parte do mundo;
3. A incapacidade de coexistência no país de dois subsistemas de ensino claramente diferenciados na sua vocação original: Ensino Politécnico dedicado a uma formação de natureza profissionalizante; Ensino Universitário responsável por um ensino vocacionado para a conceção e investigação. Esta diferenciação, aliás na base da criação do Ensino Superior Politécnico, permitiria criar ofertas mais condizentes com os objetivos profissionais futuros dos jovens e com as necessidades do mercado;
4. A redução da população em idade de frequência do Ensino Superior. Esta realidade demográfica é conhecida há anos e ainda não teve reflexo substancial na abertura de vagas para acesso ao Ensino Superior, tanto mais que, para o ano letivo 2013/2014, o n.º de vagas disponibilizadas pelas nossas instituições académicas foi superior ao do ano anterior.
Atenta e desde sempre preocupada com a qualidade do Ensino da Engenharia, porque fator determinante na qualidade dos profissionais que pretende que o país possua, a Ordem dos Engenheiros tem em marcha a criação de um projeto para análise e debate da problemática da formação académica e inserção dos engenheiros na vida profissional. Este projeto, que contamos lançar até ao final do ano, envolverá, numa primeira fase, as Escolas Superiores de Engenharia, públicas e privadas, Universidades e Institutos Politécnicos, e, numa segunda etapa, o setor empresarial, que nos dará a perspetiva do mercado de trabalho».