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Voar com sentido (In Público / Economia em 08 de Junho)
2007-06-11 16:36:00
por Suzete Maria Gomes Ferreira Vaz

Ver Imagem da Notícia"Um assistente pessoal para voo livre está a fazer a diferença no sector da navegação a nível internacional. Chama-se FlyMaster Nav +, e é feito em Portugal

A diferença relativamente aos artigos do mercado não reside apenas na informação que disponibiliza, está sobretudo na forma como o faz.

Flexibilidade, facilidade de utilização e modularidade são os pontos fortes que os "criadores" do FlyMaster Nav +, um assistente pessoal para voo livre, destacam.

O produto foi distinguido com o Prémio de Inovação e Criatividade pela Associação Portuguesa das Empresas do Sector Eléctrico e Electrónico, entre 15 projectos apresentados. Os quatro mil euros da distinção, financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, vão direitinhos para a empresa Flymaster Avionics, Lda., criada em Março deste ano em São João da Madeira.

Assistente pessoal de voo com informações preciosas, como optimização da rota, mapa de térmicas, velocidade e direcção do vento por camadas, o FlyMaster Nav+ é um instrumento que dá coordenadas importantes a pilotos de parapente, asa delta, planador, aeronaves ultra ligeiras. Duas peças em vez de uma. O FlyMaster é composto por um módulo de "hardware" e um de "software" que corre num PDA, com capacidade de ligação por "bluetooth".

"Não existe nada no mercado com este conceito. Há um equipamento único que tem tudo lá dentro", diz Nuno Gomes, um dos sócios da empresa, professor do departamento de Engenharia Electrotécnica do Instituto Superior de Engenharia do Porto.

FlyMaster em vantagem. "Os outros instrumentos são mais caros, só servem para voar, o ''display'' tem baixa capacidade e é a preto e branco, além de que a informação é, de certa forma, limitada", explica.

O conceito vai mais longe de que os produtos da concorrência, com marcas fortes em Itália e Suíça. "Permite fazer mais cálculos e disponibiliza mais informação de uma forma diferente. A cores, com gráficos e animações", garante Nuno Gomes. Com mais capacidade de processamento e de memória. A diferença está também no preço: 320 euros mais FVA, contra os cerca de 750 a mil euros praticados no mercado.

Ricardo Figueiredo, outro dos sócios, é o presidente da Fepsa, a empresa portuguesa de feltros vocacionada para a exportação que se tornou na terceira maior fabricante de chapéus do mundo. Este empresário acrescenta mais qualidades ao produto do novo projecto.

"''O FlyMaster'' mede velocidades de ascensão e de descida e dá informações facilmente apreensíveis".

Há mais. "O equipamento, que utiliza uma nova arquitectura informática, apercebe-se das condições ambientais e adapta a informação ao ambiente", adianta Nuno Gomes. Um receptor GPS com 16 canais de alta sensibilidade, memória com capacidade para 50 horas de voo, um altímetro/variómetro de alta sensibilidade, cuja acústica pode ser configurãvel, fazem parte dos "ingredientes".

Detector de térmicas - O piloto de voo livre tem de descobrir as correntes de ar ascendentes, conhecidas por térmicas. O que não é fácil. O FlyMaster tem um detector de térmicas até largas dezenas de metros.

Esta é uma das grandes inovações do produto. Minimizar a necessidade de intervenção do piloto sem prejuízo da informação disponibilizada esteve sempre presente na concepção do equipamento. Os números são substituídos por gráficos, o instrumento identifica as diferentes fases do voo para dar apenas a informação adequada em cada momento.

Quatro sócios, quatro praticantes de parapente, dois dos quais pilotos da equipa nacional de parapente, acharam que era tempo de criar um instrumento de voo mais competente. Tudo começou "quase como uma brincadeira de fim-de-semana", revela Cristiano Pereira, outro sócio, técnico de informática e director de uma empresa de quiosques multimédia. Três anos à volta do "software" de um equipamento que não lhe saía da cabeça, com os entendidos no desporto a acharem interessante a ideia.

O protótipo começou a ser desenhado e o técnico decidiu que era necessário investir ainda mais na qualidade e diferenciação. Nuno Gomes começou assim a trabalhar no "hardware". Até que no ano passado, o italiano Lucca Donini, actual campeão da Europa e ex-campeão do mundo, vencia o Campeonato Europeu de Parapente com o FlyMaster no seu "veículo".

"É um equipamento que corresponde às necessidades reais dos pilotos e que faz muito além do que os outros produtos da concorrência", diz Cristiano Pereira. Francisco Nunes, técnico de informática, é o quarto sócio.

A comercialização do produto é recente. Começou no início de Maio com clientes de peso. Todos os elementos da equipa nacional portuguesa e da selecção italiana de parapente usam o produto. A selecção francesa está também a testá-lo. O escoamento do equipamento de voo será feita através de distribuidores.

"Não é um produto de prateleira", avisa Nuno Gomes. A empresa está já a encetar contactos, apostando primeiro na Europa e depois na Ásia.

"Não há mercado em Portugal, onde há 300 federados e cerca de 600 praticantes. Em todo o mundo, há 300 mil praticantes". E há possibilidade de fazer encomendas através da Internet.

O FlyMaster é um começo porque já há novos produtos em mente. Sem abrir muito o jogo, a estratégia passa por investir em equipamentos ligados ao desporto aventura.

Ao todo, foram investidos vinte mil euros, cujo retorno debverá demorar um ano. Mas houve ajudas. O projecto FlyMaster foi financiado pelo programa Neotec, de apoio ao financiamento para a criação de empresas de base tecnológica, da Agência de Inovação.

A empresa recebeu 15 mil euros e tem ainda a possibilidade de receber mais 75 mil, caso seja aprovada uma candidatura ao mesmo programa."

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