"O social-democrata, ex-governante do executivo de Cavaco Silva, afirmou que o caminho para que as empresas portuguesas se aproximem de um crescimento sustentável de inovação, passa por apostar na qualificação dos recursos humanos. Para Mira Amaral, Portugal vive num cenário dramático no que concerne ao desenvolvimento das organizações.
O ex-ministro social-democrata da Indústria, do governo de Cavaco Silva, defendeu, anteontem, no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) que o País deve apostar no capital humano como forma de aproveitar o sétimo quadro comunitário – Quadro de Referência e Estratégia Nacional (QREN) – para o triénio 2007/2013. Mira Amaral disse que “é fundamental injectar gente nova nas empresas”. “É através de uma aprendizagem que uma organização é capaz de aumentar o nível de profundidade e diversidade da sua base de conhecimento”, acrescentou. Para o ex-ministro da Indústria “o modo mais sustentável de crescimento para as empresas e para aproveitar o QREN é injectar sangue novo (numa empresa) para uma nova e efectiva aprendizagem”.
O social-democrata constatou que, numa economia moderna, os países competem com os cérebros. Ora, “Portugal exporta muitos talentos. É importante exportar, mas também é importante que regressem”. Mira Amaral apresentou uma nova equação para colmatar a visão tradicional da economia, em que “informação e conhecimento substituem capital e energia, tal como terra e trabalho há 200 anos”. “A evolução tecnológica é baseada no conhecimento que são factores de produção chave”, afirmou. Amaral prosseguiu apoiando a teoria que dita que a economia de conhecimento “tem uma nova função de produção”, e como tal, “o conhecimento pode ter rendimentos marginais crescentes e entrar num círculo de crescimento sustentável”.
Mira Amaral patenteou que uma economia do conhecimento deve-se traduzir por “emprego baseado no conhecimento” e que “o capital incorpóreo assume mais importância do que o capital físico”. “É primordial apostar no capital humano e no Know-how para a economia do conhecimento obter ondas de progressiva inovação”.
Quadro dramático de Portugal “Em Portugal pouco se percebe de inovação”, adiantou o ex-ministro do executivo de Cavaco Silva, Mira Amaral. O também social-democrata acrescentou que “não basta criar um produto novo, porque a concorrência copia facilmente”. Amaral enalteceu os americanos, uma vez que “os Estados Unidos da América aperceberam-se disso muito cedo em relação aos chineses”. “Uma companhia não pode repousar em vantagens competitivas estáticas que são sempre transitórias”, disse o ex-ministro, defendendo um “ecossistema numa empresa que gere um fluxo constante de inovação”. Restou uma pergunta para o ex-ministro: “Portugal, imitação ou inovação?”. “A Finlândia e a Alemanha com uma estrutura baseada na imitação já estão na fronteira da inovação”, exemplificou, rematando que “Portugal está ainda longe de ambas as fronteiras (imitação e inovação)”. Mira Amaral preconizou que o País deve percorrer o caminho da imitação à inovação. “(O caminho) da imitação à inovação faz-se através do aumento da competitividade, da educação ao nível superior e liberdade económica”, enfatizou, sublinhando, deste modo, “o quadro dramático de Portugal”.
Diversidade territorial Mira Amaral assinalou as regiões do Norte, Centro, Alentejo, e Açores como as zonas de “convergência”, dentro do quadro comunitário, onde “se vivem situações dramáticas e pobreza”. Já Lisboa encontra-se numa esfera que atingiu os níveis de competitividade. Perto da capital, aproximam-se a região do Algarve e da Madeira, “onde os níveis per capita de desenvolvimento atingem os níveis europeus”. Para o ex-ministro “os factores de competitividade, o potencial humano e a valorização territorial” são os pontos orientadores para haver harmonia entre “o QREN, o mercado de capitais e os instrumentos financeiros”.
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Perfil Nascido a 4 de Dezembro de 1945 na Amadora, é Engenheiro Electrotécnico pelo Instituto Superior Técnico, tem pós-Licenciatura em Economia (Master) pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa com a classificação de Muito Bom e “Stanford Executive Program”, Graduate School of Business, Stanford University. Fez formação complementar na INSEAD e Universidade de Manchester. Administrador do Banco Português de Investimento, presidente da Comissão Executiva do Banco de Fomento (Maputo) e administrador não executivo do Banco Post (Roménia), administrador não executivo da UNICER, ATLANTIS, REPSOL e TVTEL. Foi ministro do Trabalho e Segurança Social do X Governo Constitucional, depois da Indústria e Energia do XI e XII governos, deputado e membro do “Competitiveness Advisory Group” da União Europeia (entre 1997 e 98)."