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Notícias Quinta, 5 de Março de 2026  19:23:10    v. 26.3.10  |  2026-03-04
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Cientista do chuto na bola (In Expresso)
2006-06-10 19:45:00
por Suzete Maria Gomes Ferreira Vaz

Ver Imagem da Notícia"Físico da Batalha revela teoria sobre a dinâmica e a velocidade dos remates

É A UMA velocidade superior a 100 quilómetros/hora que a bola de futebol se desloca, logo depois de ter sido chutada. E a força exercida pelo pé sobre o esférico pode atingir os 250 quilos. Estas são algumas das descobertas do físico Armando Vieira, natural da Batalha.

Este investigador, docente no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), decidiu avançar com o estudo da dinâmica inerente ao pontapé na bola. Foi depois de ter estado a jogar com o filho que decidiu pesquisar as forças envolvidas naquele acto, afinal a base do futebol, um desporto que, por sinal, não cativa particularmente a sua atenção. O certo é que Armando Vieira não descansou enquanto não elaborou um quadro teórico explicativo do fenómeno, tendo realizado observações que, afirma, atestam o seu modelo.

O facto de o pé se deslocar a velocidades que rondam os 80 quilómetros/hora quando chuta e a bola ser «disparada» a uma velocidade superior foi um dos «mistérios» que o físico procurou desvendar. Afinal, trata-se de uma situação que contraria o observado nas colisões clássicas. A explicação reside no facto de o processo de chuto na bola não ser uma mera colisão. A diferença de velocidades resulta de um processo dinâmico que conta com a actividade de certos músculos que entram em acção quando há oposição — neste caso, da bola.

Foram realizadas filmagens com uma câmara de alta velocidade — capaz de registar mil imagens por segundo —, permitindo ao físico da Batalha confirmar a conjectura elaborada. «Só assim nos foi possível entrar na escala dos milissegundos e acompanhar a dinâmica do processo», explica Armando Vieira. A teoria depressa ultrapassou fronteiras e recentemente foi publicada na revista norte-americana «Physics Teacher». Nos planos de Armando Vieira e do ISEP está já a criação de um pequeno núcleo de estudos, em colaboração com a Faculdade de Motricidade Humana, visando introduzir correcções nas posturas dos futebolistas. O objectivo passa pela construção de um modelo matemático que permita quantificar a possibilidade de melhorias na prestação desportiva.

De acordo com o físico batalhense, o pé atinge a bola a uma velocidade constante de cerca de 22 metros por segundo. Esta presteza reduz ligeiramente quando em contacto com a bola (durante cerca de 4 milissegundos), que é deformada. Segue-se uma fase de arrastamento (durante 4 a 5 milissegundos). Nessa altura, a celeridade do pé diminui levemente. Mas é precisamente aqui que está o cerne do processo de «chuto na bola». É nesta fase que entram em cena outros músculos da perna, e são eles que acrescentam força extra a todo o processo. O esférico atinge a velocidade do pé, mas utiliza a energia acumulada na compressão e deformação para acelerar, atingindo uma velocidade superior. Quando a bola se «liberta» do pé, desloca-se a mais 5 a 10 metros por segundo que a velocidade inicial do pé."


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