"A ANJE e o ISEP – Instituto Superior de Engenharia do Porto assinaram, no passado dia 21 de Março, um protocolo tendo em vista a cooperação das duas instituições em diferentes âmbitos. No curto prazo, estão previstas as seguintes iniciativas: desenvolvimento de uma disciplina na área do Empreendedorismo e Inovação, a integrar nos novos planos de curso que o instituto está a submeter à tutela no âmbito do Processo de Bolonha, e organização conjunta do programa Escola de Empreendedores, especificamente desenvolvido para os estudantes do ISEP.
A Escola de Empreendedores é um programa intensivo de formação em regime residencial cujo propósito é, como o nome indica, desenvolver o potencial empreendedor dos alunos do ISEP, através de actividades pedagógicas e ludo-culturais que recriam o mundo empresarial (oportunidades, desafios, dificuldades…) e fomentam o espírito de equipa.
O objectivo da iniciativa é, portanto, fazer emergir nos formandos as características idiossincráticas normalmente atribuídas a um decisor/empreendedor, como espírito de iniciativa, vontade de auto-superação, predisposição para o risco, sentido de responsabilidade, dinamismo, criatividade e capacidade de inovação. Para tanto, o curso abarca diferentes aspectos da actividade empresarial, começando pela elaboração do plano de negócios e prosseguindo com a transmissão de competências em áreas cruciais para operar competitivamente à escala global (finanças, marketing, recursos humanos, internacionalização, novas tecnologias, criatividade e inteligência emocional, gestão de imagem, entre outras). Estão previstos, igualmente, jantares/debate com empresários, que assim irão transmitir a sua experiência aos formandos.
A Escola de Empreendedores integra sessões em sala (indoor) e ao ar-livre (outdoor) e terá lugar no Centro Residencial de Formação Empresarial da ANJE, em Arcos de Valdevez, de 24 a 30 de Julho de 2006. Os alunos do ISEP interessados em participar no programa devem preencher o respectivo formulário de candidatura (disponível em www.anje.pt ou junto da organização), no qual têm de apresentar uma ideia de negócio. As inscrições estão abertas de 3 a 28 de Abril de 2006, sendo a selecção dos 20 participantes da responsabilidade de um júri constituído por docentes do ISEP e formadores da ANJE. Na decisão final serão ponderadas a pertinência da ideia de negócio proposta, as entrevistas individuais e a dinâmica evidenciada em grupo por cada um dos concorrentes.
Importa referir, a propósito, que serão atribuídos prémios para o «Melhor Plano de Negócios», «Melhor Ideia de Negócio» e «Participante com Maior Potencial Empreendedor».
Com esta parceria, as duas instituições, ANJE e ISEP, pretendem «estimular a capacidade de iniciativa e a vocação empreendedora dos jovens, como forma de os apoiar numa melhor e mais rápida integração na vida activa, seja ao nível do trabalho por conta de outrem, seja ao nível do acesso à função empresarial». De resto, é intenção da associação alargar esta iniciativa a outros estabelecimentos de ensino, no âmbito de uma política de promoção do empreendedorismo nos vários graus do sistema educativo português. Para tanto, a ANJE conta com o apoio do actual Governo.
Convém salientar, aliás, que as diferentes iniciativas da Academia dos Empreendedores da ANJE (Concurso de Ideias, Prémio Jovem Empreendedor, Escola de Empreendedores e Road-Show) conduziram à criação de empresas por parte de 29,8% dos seus participantes.
O número é reconfortante, mas há ainda muito a fazer, por exemplo, na aproximação do tecido económico ao meio académico, de forma a promover a inovação empresarial e o desenvolvimento tecnológico. Um estudo recente da Faculdade de Economia do Porto indica que cerca de 60% das empresas portuguesas não têm qualquer interesse em contactar com universidades para desenvolver os seus negócios, enquanto os outros quase 40% só admitem um interesse moderado. Apenas 1% das empresas vê, de facto, nos centros de investigação um parceiro importante em termos de inovação.
No período em análise, os anos de 2001 a 2003 (com inquéritos respondidos até Dezembro do ano passado), somente 47% das empresas tiveram contactos, formais ou informais, com universidades. Mas para a maioria foram experiências a não repetir ou, no mínimo, pouco satisfatórias. Apenas 12 empresas, num total de 1538, se mostram muito interessadas em desenvolver no futuro parcerias com o meio académico."