"TRÊS anos depois de ter dado o pontapé-de-saída de um ciclo de investigação a partir de robôs futebolísticos, uma equipa de Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) tem pronto para teste o protótipo de um avião autónomo, vocacionado para a vigilância aérea. O passo seguinte do Projecto Falcos será avançar para a fase de industrialização, transformando a ideia num negócio, através de um "spin off" ou de uma parceria com empresas de aeronáutica ou robótica.
Um avião não tripulado, totalmente autónomo, que decide sozinho a descolagem, trajecto e aterragem, movido a energia eléctrica, com uma envergadura de 2,4 metros, asas fixas, seis quilos de peso e capacidade para voar até três horas a uma altitude entre os 300 e os 500 metros, eis o resultado de muitas horas de laboratório e de ensaios, em Caminha, de uma equipa de cinco investigadores do ISEP.
O segredo do novo conceito está na tecnologia de navegação e controlo utilizada, o que permite adaptar o sistema a diferentes vocações. Eduardo Silva, o professor que lidera o projecto, analisou o estado da arte em países como os EUA e Austrália e concluiu que a solução é inovadora, sofisticada e de baixo custo, podendo ser utilizada em acções de vigilância das florestas, faixas costeiras ou oceanos e como instrumento na gestão ambiental, florestal ou de culturas agrícolas.
"O que desenvolvemos foi um ''''kit'''' de soluções, demonstrando que o conceito e a tecnologia funcionam", resume o investigador que acentua o interesse supranacional do sistema. O aparelho pode transportar apenas uma câmara de vigilância, mas, noutros modelos, estará apto a aguentar cargas até 500 quilos.
O avião terá de utilizar uma pequena pista de aterragem (ou uma plataforma, no caso dos oceanos), com um hangar que lhe permite a recolha e o auto-recarregamento da energia após um voo.
O aparelho está programado para "tomar decisões e navegar sozinho", descrevendo uma rota previamente definida, mas que ele adapta às condições que encontra. Por isso, está habilitado a intervir em zonas de elevado risco para uma pilotagem humana.
O ISEP está seguro do mérito do seu Projecto Falcos e consciente de que tem um vasto mercado de potenciais clientes. Para já, tem mantido conversas com associações de produtores florestais, ansiosas por assistir à demonstração pública do protótipo. Ele poderá incorporar uma espécie de alarme que dará sinal, em caso de detecção de um incêndio. Concluído o ciclo tecnológico, o desafio seguinte do ISEP é a industrialização do conhecimento. A escola, que conta com oito laboratórios e a contribuição de 180 investigadores, pode impulsionar, tal como sucedeu em casos anteriores, a criação de uma nova empresa que transforme a ideia num negócio."